Lua Cheia, Rituais

21 de jan. de 2019



Primeira Lua Cheia do ano pede um ritual de auto-amor e empoderamento, não acha? 
Aproveite a alta energia, repleta de sensualidade, para tirar um momento só para você e fazer uma auto massagem. Reserve um momento só seu, em que não será interrompida(o), coloque uma música ambiente, apague as luzes e acenda algumas velas. Escolha seu óleo corporal favorito (nossa sugestão é Mulher do Fogo, que possui cravo, canela e laranja) e faça em si mesma(o) uma auto-massagem. Dê atenção a cada parte do seu corpo, da ponta dos pés ao couro cabeludo, acolha-se, sem deixar que pensamentos te levem para outro lugar. Cuide de você com muito carinho nesse momento e em todos os outros dias do ano.

Pra onde fui?



Eu te amo demais

Às vezes te odeio
Você não conversa na cama!
Como posso te perdoar?
Eu me sinto gorda
Mas você me olha com desejo
Isso é um presente...
Você quer apertar minhas coxas,
e segurar meu quadril
seu desejo me ascende
e então me sinto linda.
Na hora do amor,
eu olho minhas dobras...
você pergunta: tudo bem?
eu digo sim....(pra onde fui? - 
para aquele mundo insano dos padrões) 
Você me beija profundamente
eu relaxo, me sinto umedecer
Após 20 anos de hormônios artificiais
Permito que meu corpo funcione naturalmente
você me leva ao delírio
te quero... te quero! 
Não foi sempre assim,
amadurecemos juntos
a liberdade empurrou nossa rotina morro abaixo
descobrimos o mito da unidade
e o êxtase da individualidade
Nós brigamos
você tem a pontualidade no gene
eu não consigo chegar ao seu nível
eu que me considerava organizada
pra você sou o caos
Eu tenho mil justificativas
você não consegue me vencer
é impossível justificar
todas as injustiças do mundo machista
Brigamos
Eu te acuso das minhas frustrações
Você me ofende às vezes
Depois se fecha
Vai ao fundo do poço
E eu te ajudo a voltar
Me pede desculpas
te peço perdão
Conversamos, explicamos
tentamos chegar num acordo
Nos abraçamos...te amo!
Não demora muito
o desejo ascende
e começa tudo novamente....
Por Adelita Monteiro
❤️ Inspirada pela rupi kaur ❤️

A Importância do Processo



Lembrança de 2 anos atrás, ainda me emociona lembrar desse momentos...♥️
Ontem acompanhei um parto difícil de 17hrs que culminou em cesárea. Foi uma experiência incrível e emocionante, com um final feliz. Porém diante de tais desfechos vejo muitas pessoas comentarem: "foi inútil!", "Tudo isso pra terminar em cesárea?!", "Assim não vale a pena". 
Essas pessoas com certeza não entendem NADA de garra, de persistência e determinação, de paciência, de entrega e de aceitação. Pense em tudo que vc já conseguiu, nos objetivos que alcançou ou deixou de alcançar em sua vida, o que mais te marcou? Independente da vitória ou da 'derrota', não são sempre as histórias da luta e das dificuldades que escutamos? São elas que nos dignificam e nos fortalecem. 
O processo, foque no processo, e tenha certeza de que vai valer a pena. 

Relacionamentos: Sobre "Fusão de Identidades"





Eu tenho contato/amizade com praticamente todas as pessoas importantes na minha vida. Sejam exs ou não. A @kale do blog Relationship Anarchy chama as pessoas com quem ela se relaciona de "pessoas importantes", sejam amig@s ou parceir@s afetiv@s. Isso pq a anarquia relacional não acredita em hierarquias (nem no governo, nem nos relacionamentos) e ela explica que todas as pessoas que considera importantes em sua vida devem ser tratadas de forma igualitária. Às vezes temos a necessidade de passar um dia com aquela melhor amiga ou com a irmã... pra conversar, dar risada e desabafar, se sentir confortada etc... Mas muitas vezes não conseguimos pq damos exclusividade ao nosso relacionamento afetivo.

As ideias da Anarquia Relacional nos parecem bem progressistas, para alguns até chocantes, mas eu acho que nos trazem importantes reflexões, por exemplo:
A questão da "Fusão de Identidades", que no nosso modelo cultural se encaixa bem no ideal do amor romântico: "minha cara metade", "nos tornamos um só!".

Vamos repensar essa essa fusão... pq independente da paixão/amor e amizade que um casal possa sentir, vocês são pessoas diferentes, individuais, que dificilmente terão os mesmos desejos e necessidades por uma vida toda. Eu vejo muitas pessoas que mudam completamente seus interesses quando se juntam a um parceiro afetivo. Muitos ganham peso, ou se tornam fitness, ou fazem tattoos, ou começam a curtir culinária... E muitas vezes percebo que em sua maioria são as mulheres que se "flexibilizam" para acompanhar a rotina, ou os interesses do parceiro. Isso em um relacionamento hétero, talvez seja diferente em relacionamentos homoafetivos.

Mas enfim, não sou contra as pessoas adaptarem suas rotinas, ou compartilhar seus interesses, isso é ótimo. Porém temos que estar atentas, principalmente as mulheres, para nessa possível fusão com um parceiro amoroso, não "perdermos" nossa identidade. A Esther Perel fala, em uma de suas incríveis palestras sobre Infidelidade, que muitas vezes as pessoas traem pq estão em busca de si mesmas. De outras partes de si que desejam descobrir. As pessoas (amigos ou amores) fazem isso com a gente, elas nos despertam diferentes facetas de nós mesmos. 


Então o problema principal na "fusão de identidades", está no ato de negligenciar sua própria identidade, e num possível rompimento, você se vê só e completamente perdida, sem chão, porque você já não sabe quem é, todos seus planos e sonhos tinham se fundido com os da pessoa, e agora sem ela você ficou sem planos, sem sonhos e sem sua identidade. Daí você sai novamente a procura de uma outra pessoa para 'completar sua metade', e te ajudar a construir sua identidade novamente. Essa busca não terá fim. Pq o que você busca está em si mesma. Sua identidade é pessoal e intransferível.😁😉

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Cartas à Leela



Nesse projeto "Cartas à Leela", pretendo publicar minhas reflexões e conversas com minha filha. E essa é minha primeira carta:

Minha filhinha querida.
Ontem mais uma vez lemos algumas histórias do livro
"Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes"
Eu quis criar uma expectativa para o momento no qual o livro chegaria do correio. Falei que havia encomendado um livro muito especial e minha intenção era criar um clima de empolgação para esse momento. E funcionou <3 (Depois farei um post sobre esse livro).

Então ao ler pra você ontem chegamos na história da Coy, uma garotinha transgênera. Ela nasceu como menino, mas em sua infância percebeu que era uma menina e pediu aos pais que a tratassem como menina e os pais atenderam seu pedido.

Eu ainda não havia conversado com você sobre transgêneros...na verdade nunca nem conversamos sobre homossexualidade. No máximo já falamos que existe casamento em 2 mulheres e 2 homens. E é tão lindo como você, em sua pureza, não se choca com nada, não julga. Que bom que estou tendo essa oportunidade de lhe mostrar que existem diferentes formas de ser e estar no mundo. Que não somente uma forma, um só modelo "válido e digno". Que sempre poderemos ser quem desejarmos e que poderemos amar e estar com as pessoas que desejarmos.

Então quando chegamos na parte que Coy, aquela menina que você viu no desenho, era inicialmente um menino, você levantou da cama inquisitiva: como mamãe ela era um menino?

E então eu li toda a história e expliquei que isso pode acontecer, que as pessoas podem nascer meninos ou meninas, mas perceber depois que não gostam de ser assim, que não se vêem no gênero que disseram que ele/ela era. Isso acontece e então teremos que respeitar o que a criança acredita ser. E disse que os pais de Coy foram muito respeitosos e corajosos por respeitar a forma como ela queria ser. Isso permitiu que Coy fosse mais feliz.

Eu senti um gelo quando percebi do que se tratava a história. Estudei muito sobre sexualidade, gênero, identidade e orientação sexual desde a faculdade, e pra mim estas questões estavam tranquilas até pouco tempo, eu estava certa de que ofereceria para minha filha uma educação que abordasse todas essas questões com o máximo de cuidado e respeito. Porém atualmente estamos atravessando um momento muito tenso e incerto na política e até mesmo na cultura de nosso país. Não sei se as escolas, pais e professores estarão abertos para ensinar essas questões às crianças e já estamos vendo vários sinais de que não estarão, devido ao veto e resistência à vários projetos para tratar questões homossexualidade e gênero nas escolas. Então tenho medo de que você chegue contando a história de Coy para as amiguinhas, não sei como isso será recebido, e não gostaria jamais que você fosse repreendida, mas não posso controlar as reações de outras pessoas.

Então decidi ter uma outra conversa com você...uma conversa sobre intolerância.
Filha, haverá algumas coisas que a mamãe irá te ensinar, que talvez outras pessoas verão com maus olhos, vão ficar bravas com você. Mas nessa hora, lembre-se da mamãe, e pense, eu sou boa, eu não quero o mal de ninguém….

Não se deixe abalar pelo ódio ou pela raiva que possa existir no coração das pessoas. Na verdade nem sei se elas desejam ser assim, podem ser pessoas muito machucadas também...
Tente não discutir, não brigar, não revidar...
Diga o que pensa com todo respeito e educação, e se a pessoa não concordar você, você pode dizer: eu entendo seu ponto de vista.

Deixe seu coração em paz. Nunca desista daquilo que acredita.

Te amo filha <3
Mamãe